Linha do Tempo

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DOCUMENTO 2

Foram tantas vezes, já não consigo mais contar as incertezas aos trinta e cinco anos de idade. Mas lembro e não vagamente, porque sim, infelizmente sou acometido por uma memória maestral, que na maior parte do tempo estive por trás das situações, montando cenários, carregando objetos, ou vestindo alguém. No eterno exercício de ser mais do que parecer, acreditando viciosamente na compensação de meus poucos atributos físicos, por horas de filmes assistidos, leituras entrecortadas e porres homéricos, que me levavam a reflexões geniais e egóicas.

Porém em determinado momento flagelei tanto meu corpo, que conquistei o reflexo de toda projeção superficial há tanto anelado. Nesse momento sem nenhum controle do meu corpo ou da minha mente, e sim, cheio de táticas sádicas subjuguei corpos que anteriormente me subjugavam.  Talvez esse prazer foi o mesmo dos vampiros, me alimentei soturnamente de energias falidas, de belos corpos preenchidos por arranjos de flores podres, fétidas, com larvas e moscas. As náuseas e o reengolir do suco gástrico eram como tomar sangue, e assim garantia o alimento daquele morto vivo. Um eu, morto vivo eu, que tanto me assusta, tanto me assola, tanto me causa desprezo e tanto me fascina. Fiquei sim, parado e hipnotizado por esse personagem que interpretei, ele me fascina, mas os ricos de revive-lo são claros.

Eu acho que te reencontrei, dessa vez não no fundo de um copo, mas em uma brisa leve, delicada, com cheiro de “Mamãe Bebe”. Danço eu, com meus braços de forma leve, desenhando arabescos, já que minhas pernas são tão pesadas e conectadas ao solo.

Me deparo, então, com conjunções e coexistências de mim, o menino com os olhos brilhantes, a força degoladora de alguém muito insistente, o medroso observador e o dono de um corpo profano, que foi banhado por calma e paz. Corpo este, agora, em busca de leveza e consciência, com ares transcendentais.

Minha foto queimou o sépia do desastrado carregador de objetos lúdicos, mergulhou em uma luz tão azulada e soturna, entre roupas e objetos de fetiche. Queimou completamente de tanto medo, inércia e bebida. Mas agora, agora está lavada ou desbotada neste processo de manipulação artesanal.

"Vivi de carnificina… Pura Carne de Açougue! Fui em busca de Mundos Possíveis. Agora uso o 7 como talismã"!